|
Problemas como o aumento constante do preço do gasóleo marítimo, que os armadores nacionais estão a enfrentar, poderiam ser resolvidos ou atenuados com a criação de agrupamentos de empresas cujas afinidades no ramo de negócio aumentem a sua competitividade. A teoria é de Valente de Oliveira, presidente da Conferência das Regiões Periféricas Marítimas (CRPM), no segundo dia do encontro que reuniu no Porto quatro dezenas de peritos em política marítima europeia. "Quem tiver afinidades, deve unir-se, desde a área do turismo até ao sector industrial, todos aqueles que vivem do mar e têm influência recíproca", disse, apontando como exemplo os sectores em redor do porto de Leixões (Matosinhos).
Sem revelar qual a sua posição sobre a matéria, Valente de Oliveira deixou alguns modelos possíveis: o inglês, que se baseia na união voluntária de privados, ou o francês, surgido da iniciativa do Estado, que decidiu estimular esses agrupamentos de empresas. Há ainda em Espanha "um modelo misto", acrescentando que em portos como o de Leixões (Matosinhos) a criação desses agrupamentos faz todo o sentido "para ver se podem melhorar aquilo que está na base da sua actividade".
Sob o lema da política e da competitividade, o encontro teve como título Uma Visão Marítima Europeia e foi promovido em conjunto pela CRPM e pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. Criada há 32 anos, esta Conferência congrega actualmente 154 regiões europeias.
São estas mesmas regiões que estão a preparar um documento de trabalho que depois será entregue a Bruxelas, como forma de participar activamente na elaboração do Livro Verde da Comissão Europeia.
Sobre a falta de estudos científicos que sustentem a redução de quota de algumas espécies em águas nacionais, Valente de Oliveira disse ser necessário acabar com algumas "incongruências, porque não se pode pescar apenas os peixes adultos, pois são eles que se reproduzem, ao passo que os juvenis são atirados ao mar, muitas das vezes já mortos". Lagostim, carapau ou tamboril estão na mira da Comissão Europeia, ainda que uma decisão sobre a matéria só seja tomada na próxima semana, em Bruxelas. |